terça-feira, 12 de novembro de 2013

Lua lacrimejante

Lua lacrimejante
pensas perdida na noite
no teu arco de luz
observo o meu rosto
envolto em mil murmurios
de sedução

Nas mares
a teus pés
a tua luz purpura
ilumina a nossa ilusão
gravitas no mar
no nosso serão

As tuas mil e uma cores
de luz doirada
permanece intacta
nas marés da imaginação
quanto é tua a vida
e a morte também.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Album: Perdido na noite

*ConfidÊncias*

LA           DO
Perdido na noite
SOL         RE
sem sentido
LA             DO
como um foragido
SOL               RE
perdido sem beira

Fui perder
a minha ideia
que te atravessou
e te levou com ela

Perdido na noite
enfim cansado
perdido disperto
tu abençoado

Fui ganhar
uma investida
que pareceu
ser perdida

Não há nada
para sorrir
que a vida
é sempre a partir

Fui embora
sem eira nem beira
para sempre
na orla da esteira

Refrão:
DO       LA
Há um lugar
MI
onde a vida se esconde
DO            LA
de um precipio
MI                SOL
bem junto do monte

domingo, 3 de novembro de 2013

Sopro

Foi apenas um sopro
que saiu desprovido de saudade
um murmúrio de ansiedade
palavra esquecida no tempo

Migrando para alem da luz
que se fez voz
a sós
com a nossa solidão

E mergulhada nesse mar
mares de lar e céu
cansada da desilusão 
e de sofrer com o coração

Foi só um sopro
uma palavra altiva
que o tempo desenhou
na sua missiva

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Há dias

Há dias em que o amor parte a meu lado
imerso no silêncio
e fugindo se desmascara de toda a sua certeza
como quem sonha um sonho
do qual jamais acorda.

Há dias em que o amor
me surpreende com um beijo no rosto
e incólume me persuade
em mais uma investida
de cordialidade.

Há dias assim
em que o amor se desfaz em pedaços
nos quais se divide
e se expande para outro horizonte.

Há dias em que o amor parte a meu lado
e qual mar, quais marés
se sente inusitado
e perene
como quem brinca com o sentimento.

Há dias em que o amor
se desmarca de todo o seu sentido
e se joga de um precipício
sobre todo o seu vazio.

Há dias assim
em que a vacuidade
do amor é pedra dura
que seduz e intensifica
a sua compostura.

Meu amor

O meu amor surge-me nos sonhos,
com a mesma certeza de me amar
com que cobre as minhas dúvidas.

Traz consigo a melancolia 
das palavras simples
e leva com ele a tristeza 
das tardes absolutas.

Em que nos braços um do outro
nos mergulhavamos em furor
para entender que já 
não havia dor.

No meio da tristeza 
ela desvanece-se
e apenas resta a esperança 
de um beijo breve.

Que o meu amor vem de mansinho
e traz consigo pétalas em seus dedos
com que há-de celebrar o nosso enlace.

Não faz mal
assim espero que com sua voz
me possa relembrar de nós
que somos só um

A mesma parte do mesmo signo
a mesma arte de um designio
que nem nós podemos compreender.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Alma

A alma
é um sopro de vida,
que se desvanece
num sol raso
e se exponência
sob um mar calmo
que se avizinha
a minha espera.

Mergulho
e dentro desse abismo
pergunto pelo teu nome
que me foge sem sentido.

Mergulho
e a prosa se faz poema
em te ter à minha espera
esperando por ti
em mim coração.

De quantos nomes perguntando
quantos céus sob nossas cabeças
que se agitam nesse cosmos
cujas estrelas são pequenos
signos na minha mão.

E de quantos céus se faz vida
assim tão deveras desvanecida
que o céu se acalenta
em sofridão
e as nuvens rebentam
na chuva que nos 
há-de redimir
e trazer esse perdão.

E é tão pouco 
aquilo que te peço
que te confesso 
ser esse o fado
que para ser inanimado
e perene e inusitado
se consubstancia
na minha idolatria
por ti.

Tu que trazes tanto em tua voz
que remetes a nós 
estarmos sós
tu e eu e o inteiro universo
que nos acolhe em seu colo
que nos reconforta
e nos diz o que é o amor.

Como que esquecendo a dor
se nos inoportuna
em nossos sentidos
que baços
se tornam em traços
de nós os dois.

domingo, 27 de outubro de 2013

Anseio

Anseio pela tua presença
de lábios molhados
num silêncio insurdecedor
que nos faça caminhar
juntos em busca
da madrugada nova
que se adivinhe
mais tarde.