terça-feira, 1 de abril de 2014

Alguem

Alguem te chama
para alem das sombras da manha
quando os raios
se perpetuam na madrugada

Alguem te quer
imersa nos teus sonhos
quanto deles te soam
incolumes

E quem te clama
de olhar perdido
na bruma de um
horizonte esquecido

Quem te chama
para alem
de um lugar
esquecido

e quem te deseja assim
com rios de laivos de loucura
quando o tempo
é uma tortura

A dor de amar-te assim

Poema: A dor de amar-te assim

Queria amar-te
para além das pétalas
das palavras

Para além do sol
e do mar
e despojar-te na areia humedecida

do teu olhar
perdido em mim

E nessa forma
encontrar-me no teu seio
que se despreende
em teu olhar modesto

vida de incesto
na despedida
de mais um gesto

e quando na madrugada
vieres à minha procura
sou anjo que se arrasta
na deambulação do desejo

perdido
para me encontrar
no teu jardim

Dou por mim
escondido
numa teia de cetim

imaculada pelo firmamento
do céu
em teu interior

que é manifesto
da minha imensa
dor.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Do amor

Poema: Do amor

Queria despir-te
com as mãos
ausentes de sentido

tu que és minha vida
que se revela
tu comigo

Da flor que
brota em teu
deserto

cujo corpo
é em ti meu
manifesto

para em ti
repousarmos
nos laços de um só

conjugação
de um verso
na forma de poema

despida
no sentir
de mim reflectida

Para sempre
tu em mim
seres minha vida.

Tu

Poema: Tu

Tu , que surges para alem da noite
num sentir que vem povoar todas as sombras
que acalentam esta forma de pensar
como se fosse apenas um pressentimento

E quando da noite se faz voz
ecoando para lá da solidão
surges de véu escondendo tua essência
para deambulares na tua premencia

E de tudo o que é assim sentido
para alem de estares tu assim comigo
do gesto que me faz sonhar assim
como se fosse um mar da eterna luz cetim

Constelações no céu púrpuro

Poema: Constelações no céu púrpuro

Surgem sombras
no há-de vir
como uma cortina de fumo
do meu eterno sentir

E nessa deambulação
são cravos despovoados
no meu coração
amargurado

Que se ressente de
toda a ilusão
de um dia
que surge para além da noite

E nessas incertezas
de mãos despidas de ternura
somos constelações
na escuridão de um céu púrpuro

E depreendesse o véu
e todo o teu corpo é meu.

Sitio

Poema: Sitio

Aqui neste sitio onde te vejo
de um lugar povoado de sombras
em que a vida se conforma
com o deambular da solidão

e nesse pensamento
quantos vidas serão tormento
quantos passos que se dirigem á tua aura
que brilha no mar do sentimento

e quando assim
se tomar a veia em mim
sou trajecto oblíquo
que cruza só o horizonte

para onde convergem todas as sombras
de um sitio abandonado
que circula no teu olhar
e que migra para o sol posto.

Alguem do outrolado

Alguem do outro lado
chama por ti em terna voz
para além do firmamento
perdido que há em nós

E nesse descernimento
de meras sombras te povoam
um olhar amanhecido
de um grito além perdido

E quando em ti
se firmam horizontes
somos nós
astros de rejubilo

Que percorrem os céus despidos
nessas deambulações
acordam nos teus sonhos
de nossos corações