quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Entardecer

Num entardecer de saudade
em que o sol se punha
atrás do firmamento
foi desejo que senti
por ti nesse momento.

Surgiu súbito
em tempo de horas soltas
e partiu inesperado
no lugar da madrugada.

E os meus olhos que reflectiam
mais além desse firmamento
o entardecer chegou tarde
e levou a mocidade.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Ergo-me



Procuro um suspiro teu,
nem que seja de um amanhecer
de uma noite caída sobre teu rosto
e escutar o silêncio posto.

E assim perder-me
para me encontrar perdido em ti,
num sonho de penumbra e encanto
ou de uma noite sem fim.
Por isso ergo-me
à procura de um sonho teu
que me faça esquecer
o sentido da vida.
Ergo-me raios
porque raios não hei-de erguer,
para trazer do céu
as estrelas e entregar-te-as.
E por isso pergunto
se não te sentes sozinha
perdida em teus pensamentos e
doces enganos,
criando remendos em poemas já escritos.
E no ensaio da vida
no qual hei-de erguer um dia,
ergo-me de pranto
e no doce engano
ergo-me meu amor, por ti.

Surreal

Hoje, sinto as palavras
crescerem fora da minha pele
a desafiarem a rendição da alma
e o corpo assim render-se de vida,
mas são apenas pensamentos surreais.
Nem a alma se rende,
nem a pele é ferida
pelo corte longínquo das palavras,
que cortejam a certeza real de um corpo.

Sendo assim,
imerso nas palavras,
sentindo a vida palpar em mim
parto destemido para o seu fim
do poema,
cujo firmamento é o olhar
distante da terra
que o céu acolhe em seu dorso,
com a sombra da minha alma
em constante alvoroço.

Ela que se exalta 
e se sente cortejar,
milagre das palavras em seu soar
com a milícia dos sentidos
em seu triste canal
que parece que 
procura a raiz do mal,
nem que o bem assim se faça.

Vazio

No vazio crespucular das minhas veias
do qual imerges em mim
nessas horas de madrugada
que parecem não ter fim
é assim tua a nossa alma
e tu partes repleta de nós,
imersa no vazio esquecido em vós.

Nessa dor de palavras esquecidas
cujo termo é eleita madrugada
vens perdida nas noites
das auroras e crepusculos
é assim tua a nossa alma
e tu partes repleta de nós,
imersa no vazio esquecido em vós

Na sacridão desse eterno momento
nesse rumo que procura a paixão
dás-me tanto de mim 
como de tormento
perdida eleita em nós
és alma e sangue em mim
vazio que partes a sós
só vazio

Chamar-te



Deixa-me chamar pelo teu nome
em dias de noite escura
para que assim me sinta protegido
desta minha amargura

E se de repente
me ouvires chamar
vem depressa
para me salvar

são as sombras que me instigam
e procuram devorar
aparecem junto à madrugada
e não há modo de as parar

silenciosas vêm com a noite
procurando a minha alma
com o sangue que pulsa
do meu coração assustado




Solidão

Hoje, escutei a solidão
serena,
ela que me disse
que era um poema
em teu olhar,
e que quando me sentisse
naufragar
me incidisse de luz
no crepusculo da espuma
em um qualquer mar.
Pode também recordar
em que mudam as estações,
o Outono para o Inverno
com suas chuvas e dilúvios
como um soneto
ou uma valsa, ela assim contou
Quem?
A solidão
que me aperta em dias inusitados
que é o sentido de ser só
sozinho, nesse caminho
por desbravar.
Ela que me disse
rindo baixinho
que o caminho é para andar
e que basta apenas recordar
como mudam as estações.

Passos

Sinto os teus passos, à noite
soam a sombras esquecidas
trazendo consigo a alvorada.
Na luz crepuscular
trazem consigo também a saudade, 
que me aperta o coração.
Sinto os teus passos, à noite
o relógio marca hora tardia
e os teus passos lentos,
arrastam consigo tormentos
de que eu não me consigo esquecer.
Ouço os teus passos, naquela noite
soavam a passos de cristal
quebrando o ar com o irreal
que deles se ia criando.
Ouço os teus passos, junto aos meus
caminhamos perto de Deus
que só ele há-de entender.
Sinto os teus passos, e é tudo.