domingo, 19 de janeiro de 2014

Mistério

Procuro-te na orla do tempo, 
quando o sinal eram apenas rimas conjugadas, 
de memórias perdidas e destroçadas, 
tal como manhas de madrugada morna, 
em que os nossos corpos se consumiam, 
no desejo desses dias.

Foi tão pouco aquilo que deixas-te
que a memória permitiu deixar em nós
que se mitigou em sonhos vorazes
em pensamentos capazes da adversão
e tudo fugiu da minha mão
como sentidos ausentes.

Depois quando partis-te
a mim deixas-te a maré vazia de teu mar
o sol embrutecido a pousar
sob o meu plano nesta terra.

Consumindo em cada gesto
devorando cada manifesto da tua lingua
em cada palavra que me trazias
e tu assim ausente do mistério.