terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Anjo

Conseguia ouvir as palavras do anjo
ele que planava sobre o céu ardente
e quando por fim tombou
era mais um homem
que crucificado na terra se entregava a si de delírio
acordando num grito de susto
na madrugada do seu olhar
imerso na sua dor
a mesma dor de caminhar
e quando se fez luz
ele surgiu no céu planando
e todo o negro se exortou
da sua cordialidade
para sempre suscitou
a sua saudade
e era apenas um homem
cujas asas o faziam convalescer
para lá do ser homem
e que o faziam alcançar a liberdade
de espírito sobre a matéria
condensando a sua alma num só grito
de pranto
e quando ela se fez assim
e a aurora surgiu por fim
ele partiu mergulhando
no azul do céu
que para sempre o acolheu
que para sempre o fez libertar
de toda a sua ânsia
e se me perguntarem
para onde migrou
direi pelo azul do mar que se reflecte no céu
para onde partiu
e de onde se fez nada