quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Menino e o mar



Imagina o mar como uma folha sobreposta de cor azul,
sobre a qual incidem os raios da lua prateada, 
ondulantes na maré vaga.

E os olhos do menino que nele incidem 
perdendo-se no horizonte.

Quis saber seu nome, e torna-lo seu, 
sobrepondo-o sobre o seu corpo de água salgada, 
ondas ténues e serenas que nele se abraçam em cordial melodia.

Abraçou-o no tamanho dos seus braços pequeninos, 
o menino, 
que a ele se formaram sob suas gotas lacrimejantes, e ele assim a respira-lo sendo seu.

O mar do tamanho do globo que seus braços abraçavam junto ao peito e dizendo:

- És meu, mar que te perdes sob os meus olhos, e partes vago no horizonte onde te perdes em teus infinitos cuidados, e para onde incidem as minhas lágrimas na tua devoção.

E o mar a responder com o som da maré na noite, 
calma e serena, 
denotando em si todo o silêncio do mundo, 
do tamanho daqueles braços pequeninos que a ele se abraçam.

- Para onde partes mar, tu que te afogas em tuas marés longas e no abismo da tua profundidade?
Perguntou o menino absorto em sua credulidade.

Parte para o silêncio da noite que dele se abraça pequenino e longo, 
das ondas suaves e da areia meiga que a ele recolhe para o exultar na partida num “vussss, vusss” de som cordial.

O menino que se perdeu no imenso mar que era o da sua despedida.