sábado, 12 de outubro de 2013

Dança



O seu olhar fatídico com que olhava para mim embaraçava-me naquele momento. Quis-lhe perguntar o porque desse gesto mas era escusado. O seu sobrolho levantava ligeiramente e a sua face erguia-se um pouco adiante como a querer fazer uma pergunta.
- Danças?
Eu não dançava. Não sabia dançar. A última vez que tinha dançado tinha sido no liceu e já lá iam uns largos anos.
De repente uma luz surgiu e abraçou-me.
-Danças?
Retomou. Dançar assim a assim. Podia ser só o que queria de mim, mas a sua mão puxou-me pelo casaco e por momentos tínhamos os nossos corpos encostados um ao outro. Já não podia negar que dançava, naquela posição, com a sua mão a agarrar-me num braço e atirar-me para a pista. Escorreguei mas com a força do tronco consegui erguer-me.
- Não tenho outra solução senão dançar. Disse-lhe.
E de repente a mesma luz abraçou-me. A luz dos holofotes da pista de dança abraçavam-me com aquela luz ténue.
- Danças!?
E teria que dançar.
Na primeira valsa, com a minha mão encostada à dela, parecia que rodopiava. Com o som da música a tocar, dançamos durante uns longos minutos, para mim que pareceu uma eternidade. No fim da música sentamo-nos.
- Danças-te bem… Disse-me olhando para mim com aqueles grandes olhos castanhos capazes de me devorar. Acenei que sim com a cabeça mas um pouco inseguro. Olhou novamente para mim com o seu olhar fatídico e disse-me se não queria apanhar um pouco de ar. Podiamos ir até à varanda. Por isso pegou-me na mão e arrastou-me até lá fora onde estava uma temperatura amena.
Com nossos corpos encostados na varanda, ela chega-se perto de mim e dá-me um beijo prolongado. Tive apenas tempo de por um pé atrás e surpreendido deixei que a sua língua se enroscasse na minha num beijo demorado e quente.
Quando acabou perguntou-me se tinha gostado ao que acenei com a cabeça que sim. Então encostou outra vez os seus lábios junto aos meus, com nossos corpos ao pé um do outro, num beijo mais prolongado do que o outro.